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segunda-feira, 20 de abril de 2026

PENSAMENTOS ABERTOS E LIVRES - 7

A RELEVÂNCIA DO CONSELHO LEONINO O objetivo deste pensamento visa testemunhar a História de um Órgão Social que foi extinto e que num futuro próximo deve ser equacionar a sua reativação. Convém contextualizar que o predomínio do Sporting Clube de Portugal teve o seu apogeu na década cinquenta do Século XX, coincidente com o patamar mais elevado do Estado Novo. Muitas das grandes figuras do regime reuniam-se em órgãos do clube. O Conselho Leonino foi, durante décadas, um dos órgãos mais singulares e identitários do Sporting Clube de Portugal, refletindo uma cultura de participação alargada e de reflexão estratégica que distinguia o clube no panorama nacional. Origem e criação O Conselho Leonino foi criado em 1968, no contexto da revisão estatutária do clube, substituindo estruturas anteriores como o Conselho Geral e o Conselho dos Presidentes. A sua criação teve uma razão clara: institucionalizar um órgão de reflexão, aconselhamento e equilíbrio interno, reunindo figuras com experiência e ligação histórica ao clube. Numa época em que os clubes ainda eram profundamente associativos, procurava-se garantir: • continuidade estratégica, • memória institucional, • e capacidade de escrutínio informal sobre a direção. Inicialmente, o Conselho Leonino tinha até poderes relevantes, incluindo a indicação dos titulares dos principais órgãos sociais, o que demonstra a sua importância estrutural na governação do Sporting. Evolução e adaptação ao longo dos anos Ao longo das décadas, o Conselho Leonino foi sofrendo adaptações que refletem as mudanças no modelo de governação do clube: • 1989: perde poderes executivos e passa a ser formalmente um órgão consultivo, reduzindo-se a sua influência direta. • 1996: volta a ganhar relevância, com reforço de competências e aumento do número de membros, consolidando-se como um espaço de aconselhamento estratégico e acompanhamento da gestão. A sua composição era particularmente rica: incluía antigos dirigentes, membros eleitos, figuras históricas e representantes de estruturas associativas do clube. Isto fazia dele um verdadeiro “senado leonino”, onde coexistiam experiência, legitimidade e diversidade de opiniões. Na prática, o Conselho Leonino: • analisava relatórios e contas, • acompanhava a estratégia do clube, • emitia pareceres (não vinculativos), • e funcionava como espaço de debate interno em momentos críticos. Extinção em 2018 O Conselho Leonino foi extinto na Assembleia Geral de 17 de fevereiro de 2018, no âmbito de uma revisão estatutária aprovada com larga maioria (87,3%). Estatutos que ainda hoje se mantêm em vigor e foram um ato centrado na personalidade do então, e as atuais normas são bastante nefastas com o clube e possuem algumas contradições e havendo defensores que possuem normativos anti-constitucionais. Tarda a sua revisão! Foi substituído por um modelo diferente: um conselho estratégico informal, nomeado diretamente pelo presidente e sem autonomia estatutária. As razões — e as “razões erradas” Formalmente, a extinção foi justificada com argumentos como: • necessidade de simplificação dos órgãos sociais, • maior eficiência decisória, • eliminação de redundâncias. No entanto, uma análise crítica aponta várias razões problemáticas: 1. Confusão entre crítica e bloqueio O Conselho Leonino, por natureza, introduzia pluralidade e contraditório. Muitas vezes, foi acusado de travar decisões — mas, na prática, cumpria a função de escrutínio interno típica de organizações maduras. Eliminar o órgão pode ser visto como: Substituir o debate estruturado por decisões mais centralizadas. 2. Perda de memória institucional O Conselho reunia antigos dirigentes e sócios históricos. A sua extinção significou perder um espaço onde se cruzavam: • experiência acumulada, • conhecimento histórico, • e visão de longo prazo. 3. Enfraquecimento do modelo associativo O Sporting sempre se distinguiu por um modelo participativo. A substituição por um órgão nomeado pelo presidente reduziu: • independência, • legitimidade democrática, • e capacidade de contrapoder interno. 4. Personalização do poder O novo modelo permite ao presidente criar ou extinguir o conselho estratégico e escolher os seus membros, o que levanta questões sobre: • autonomia, • transparência, • e diversidade de pensamento. Comparação com outros grandes clubes A existência de órgãos consultivos ou estratégicos não é exclusiva do Sporting — pelo contrário, é prática comum em grandes instituições desportivas. Exemplos internacionais • Real Madrid Possui uma Asamblea de Socios Representantes, que, embora não seja consultiva no mesmo molde, garante forte participação e escrutínio estratégico. • FC Barcelona Tem um modelo associativo robusto com assembleias e órgãos de controlo que funcionam como contrapeso à direção. • Bayern Munich Integra um modelo híbrido onde antigos dirigentes e figuras históricas mantêm influência através de conselhos e supervisão estratégica. • SL Benfica Mantém órgãos consultivos e estruturas internas onde antigos dirigentes e personalidades influentes participam na reflexão estratégica, ainda que de forma menos formalizada. Conclusão O Conselho Leonino foi mais do que um órgão consultivo: foi uma expressão da identidade do Sporting enquanto clube plural, participado e consciente da sua história. A sua evolução refletiu as tensões naturais entre: • eficiência vs. participação, • liderança vs. escrutínio, • presente vs. memória. A sua extinção, embora legal e estatutariamente válida, levanta uma questão central: Pode um grande clube prescindir de um espaço institucional de reflexão independente sem empobrecer a sua governação?

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