sexta-feira, 1 de maio de 2026
PENSAMENTO ABERTOS E LIVRES - 8
SURREAL.
Custa. Claro que custa.
Mas antes de cairmos na crítica fácil, há uma coisa que não podemos perder: memória.
Ser do Sporting CP não é só aparecer quando tudo corre bem. É agora. É nestes momentos.
Há uma semana estávamos a lutar pelo tricampeonato.
Num dérbi que podia mudar tudo, fazemos um golo aos 91 minutos… anulado por centímetros. Na jogada a seguir, sofremos. Futebol no seu estado mais cruel.
Depois vamos ao Dragão e respondemos como equipa grande: uma passagem importante, num jogo de caráter, atitude e identidade. E depois… o caos. Jogos surreais, penáltis contra, ressaltos, golos sofridos em minutos finais.
Ontem? Defesa de penálti e, nos lances seguintes, dois golos sofridos de canto. Em minutos. Contra uma equipa em zona de descida. Difícil de explicar? Muito. Mas isto também é futebol.
Agora, parem um segundo.
E olhem para a época.
Na Europa, fomos gigantes. Ganhámos ao Paris Saint-Germain — uma das melhores equipas do mundo, hoje nas meias-finais da Champions — e colocámos o Sporting entre os 8 melhores da Europa. Isto não é sorte. Isto é qualidade. Isto é trabalho de topo.
Andámos uma época inteira a lutar por um tricampeonato. Uma época inteira. Consistência. Competência. Ambição.
E mesmo assim… quase sempre contra tudo.
Lesões atrás de lesões. Momentos em que a equipa teve de se reinventar, adaptar, competir sem estar na máxima força.
Quantas vezes jogámos com o melhor 11? Poucas. Muitas vezes fomos obrigados a improvisar, a encontrar soluções onde parecia não haver.
Há quem diga que não ganhámos aos quatro primeiros.
É verdade.
Mas também é verdade que foram jogos decididos em detalhes mínimos. Penáltis nos minutos finais. Golos aos 90’. Margens curtas. No Dragão empatámos. Noutros jogos estivemos sempre dentro da luta até ao último lance. Até na Europa mostramos que conseguimos competir em qualquer palco.
Isto não é uma equipa banal. Isto é uma equipa que compete e digna de vestir a mítica verde e branca.
E mais: este projeto foi, ainda esta época, apontado por muitos como a equipa que melhor futebol praticava em Portugal.
Isso não desaparece de um dia para o outro.
Sim, há coisas a melhorar — e têm de ser ditas com frontalidade. A nível de performance e do departamento médico, há questões que precisam de ser analisadas a sério. Não é de agora: já na época passada tivemos um número elevado de lesões, e esta época o cenário repete-se. É um ponto que o clube tem de perceber, ajustar e melhorar.
Mas crescer não é deitar tudo abaixo ao primeiro abalo.
Agora deixem-me dizer isto, de forma direta.
Ontem estavam pouco mais de 30 mil no estádio… e em muitos momentos faltou voz.
E isso tem de nos fazer pensar.
Porque depois, quando chegam os grandes jogos, as finais, os momentos de festa — são muitas vezes esses mesmos lugares que aparecem ocupados, com prioridade, com anos de sócio… mas onde esteve essa força quando a equipa mais precisava?
Isto não é sobre apontar o dedo. É sobre responsabilidade.
O Sporting não é só estar nos dias bons. É construir esses dias.
Durante os 90 minutos não há crítica — há apoio. A crítica vem depois. Sempre.
Porque quem está lá dentro sente o jogo… mas quem está cá fora pode mudar o jogo. Um estádio ligado, a puxar, a cantar, a reagir! Isso levanta equipas. Isso empurra. Isso faz a diferença.
E isso tem de ser constante. Não só quando estamos por cima, mas principalmente quando custa.
Se queremos exigir, também temos de dar.
Menos crítica fácil. Mais presença. Mais voz.
Mais Sporting.
Agora é fechar fileiras.
Porque isto ainda não acabou.
E porque nós — juntos — somos imbatíveis.
Do sócio que, durante todo o jogo, vai-te apoiar. Estejas tu numa final da Champions ou na segunda liga.
Porque eu nunca rescindo . 🟢
Texto de um sócio e adepto do SCP
segunda-feira, 20 de abril de 2026
PENSAMENTOS ABERTOS E LIVRES - 7
A RELEVÂNCIA DO CONSELHO LEONINO
O objetivo deste pensamento visa testemunhar a História de um Órgão Social que foi extinto e que num futuro próximo deve ser equacionar a sua reativação.
Convém contextualizar que o predomínio do Sporting Clube de Portugal teve o seu apogeu na década cinquenta do Século XX, coincidente com o patamar mais elevado do Estado Novo. Muitas das grandes figuras do regime reuniam-se em órgãos do clube.
O Conselho Leonino foi, durante décadas, um dos órgãos mais singulares e identitários do Sporting Clube de Portugal, refletindo uma cultura de participação alargada e de reflexão estratégica que distinguia o clube no panorama nacional.
Origem e criação
O Conselho Leonino foi criado em 1968, no contexto da revisão estatutária do clube, substituindo estruturas anteriores como o Conselho Geral e o Conselho dos Presidentes.
A sua criação teve uma razão clara: institucionalizar um órgão de reflexão, aconselhamento e equilíbrio interno, reunindo figuras com experiência e ligação histórica ao clube. Numa época em que os clubes ainda eram profundamente associativos, procurava-se garantir:
• continuidade estratégica,
• memória institucional,
• e capacidade de escrutínio informal sobre a direção.
Inicialmente, o Conselho Leonino tinha até poderes relevantes, incluindo a indicação dos titulares dos principais órgãos sociais, o que demonstra a sua importância estrutural na governação do Sporting.
Evolução e adaptação ao longo dos anos
Ao longo das décadas, o Conselho Leonino foi sofrendo adaptações que refletem as mudanças no modelo de governação do clube:
• 1989: perde poderes executivos e passa a ser formalmente um órgão consultivo, reduzindo-se a sua influência direta.
• 1996: volta a ganhar relevância, com reforço de competências e aumento do número de membros, consolidando-se como um espaço de aconselhamento estratégico e acompanhamento da gestão.
A sua composição era particularmente rica: incluía antigos dirigentes, membros eleitos, figuras históricas e representantes de estruturas associativas do clube. Isto fazia dele um verdadeiro “senado leonino”, onde coexistiam experiência, legitimidade e diversidade de opiniões.
Na prática, o Conselho Leonino:
• analisava relatórios e contas,
• acompanhava a estratégia do clube,
• emitia pareceres (não vinculativos),
• e funcionava como espaço de debate interno em momentos críticos.
Extinção em 2018
O Conselho Leonino foi extinto na Assembleia Geral de 17 de fevereiro de 2018, no âmbito de uma revisão estatutária aprovada com larga maioria (87,3%). Estatutos que ainda hoje se mantêm em vigor e foram um ato centrado na personalidade do então, e as atuais normas são bastante nefastas com o clube e possuem algumas contradições e havendo defensores que possuem normativos anti-constitucionais. Tarda a sua revisão!
Foi substituído por um modelo diferente: um conselho estratégico informal, nomeado diretamente pelo presidente e sem autonomia estatutária.
As razões — e as “razões erradas”
Formalmente, a extinção foi justificada com argumentos como:
• necessidade de simplificação dos órgãos sociais,
• maior eficiência decisória,
• eliminação de redundâncias.
No entanto, uma análise crítica aponta várias razões problemáticas:
1. Confusão entre crítica e bloqueio
O Conselho Leonino, por natureza, introduzia pluralidade e contraditório. Muitas vezes, foi acusado de travar decisões — mas, na prática, cumpria a função de escrutínio interno típica de organizações maduras.
Eliminar o órgão pode ser visto como:
Substituir o debate estruturado por decisões mais centralizadas.
2. Perda de memória institucional
O Conselho reunia antigos dirigentes e sócios históricos. A sua extinção significou perder um espaço onde se cruzavam:
• experiência acumulada,
• conhecimento histórico,
• e visão de longo prazo.
3. Enfraquecimento do modelo associativo
O Sporting sempre se distinguiu por um modelo participativo. A substituição por um órgão nomeado pelo presidente reduziu:
• independência,
• legitimidade democrática,
• e capacidade de contrapoder interno.
4. Personalização do poder
O novo modelo permite ao presidente criar ou extinguir o conselho estratégico e escolher os seus membros, o que levanta questões sobre:
• autonomia,
• transparência,
• e diversidade de pensamento.
Comparação com outros grandes clubes
A existência de órgãos consultivos ou estratégicos não é exclusiva do Sporting — pelo contrário, é prática comum em grandes instituições desportivas.
Exemplos internacionais
• Real Madrid
Possui uma Asamblea de Socios Representantes, que, embora não seja consultiva no mesmo molde, garante forte participação e escrutínio estratégico.
• FC Barcelona
Tem um modelo associativo robusto com assembleias e órgãos de controlo que funcionam como contrapeso à direção.
• Bayern Munich
Integra um modelo híbrido onde antigos dirigentes e figuras históricas mantêm influência através de conselhos e supervisão estratégica.
• SL Benfica
Mantém órgãos consultivos e estruturas internas onde antigos dirigentes e personalidades influentes participam na reflexão estratégica, ainda que de forma menos formalizada.
Conclusão
O Conselho Leonino foi mais do que um órgão consultivo: foi uma expressão da identidade do Sporting enquanto clube plural, participado e consciente da sua história.
A sua evolução refletiu as tensões naturais entre:
• eficiência vs. participação,
• liderança vs. escrutínio,
• presente vs. memória.
A sua extinção, embora legal e estatutariamente válida, levanta uma questão central:
Pode um grande clube prescindir de um espaço institucional de reflexão independente sem empobrecer a sua governação?
sexta-feira, 17 de abril de 2026
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