segunda-feira, 22 de abril de 2013
domingo, 31 de março de 2013
JORNAL ALCAXETE 13MAR21
Quis o
destino que estes pensamentos chegassem às mãos dos leitores na véspera das
eleições do Sporting Clube de Portugal, apesar disso não iremos abordar o
assunto das candidaturas.
Estas
eleições do clube ocorrem num momento gravíssimo da instituição em si e da
sociedade em que está inserido. Todos sabemos e sentimos as alterações de
paradigmas de vida necessários a implementar no quotidiano.
Acreditamos
que o Sporting mais uma vez será pioneiro a dar um exemplo de padrão de
conduta, que urge implementar na gestão desportiva dos clubes, em especial em
Portugal. Esta alteração tem que ser feita de forma consciente por todos os
dirigentes, englobando nela os jogadores, técnicos e demais agentes desportivos
sejam eles empresários ou não.
Todos
temos conhecimento que o futebol é a modalidade mais praticada no mundo e a que
movimenta de forma global mais verbas financeiras, no entanto, não no top dos
atletas mais remunerados aparecem outros que não os futebolistas.
A Europa tem
centrado as atenções do mundo do futebol nas últimas décadas, existem dúvidas
se este desequilíbrio não será alterado; por esse fato a UEFA pretende
introduzir padrões de controlo financeiro. Não é mais possível continuar a ter
uma indústria do futebol que por exemplo em 2011 tinha estes números no
continente europeu: por cada 9 euros de custo resultava 8 euros de proveitos.
Se
olharmos para o ano de 2007 os prejuízos dos clubes europeus de futebol
rondavam os 600 milhões de euros e subiram para o patamar de 1.7 milhões de
Euros no final do ano 2011.
Estes
números são galácticos!
Se
olharmos de forma pormenorizada certos números constamos que existe um grupo
não tão residual como se pensa, de clubes europeus que possuem resultados
financeiros positivos e são competitivos. Os nossos clubes portugueses estão
numa situação deveras dramática em vários parâmetros:
Temos
estádios dimensionados para a população que não temos; as nossas instituições
desportivas possuem uma deficiente gestão desportiva, salvo raras exceções; nos
últimos anos a Federação tem descurado em muito a promoção do futebol ao nível
de base, a sua grande preocupação tem sido nos grandes eventos desportivos.
Existem de
qualquer modo fatores e apostas positivas que ocorreram. Consideramos que neste
momento e atendendo ao período eleitoral leonino, acreditamos que a próxima
década vai ser fundamental para mexer no quadro competitivo, desde os
distritais aos nacionais.
Se para a
sobrevivência e o crescimento do futebol tiverem que ser extintos alguns clubes,
que isso aconteça, para que se possa adquirir uma maior transparência. Estamos
convictos que alguns dirigentes andam distraídos com a nova Lei das Sociedades
Desportivas.
Nota: Que se passa com o Desportivo de
Alcochete? Desconheço se os estatutos foram alterados, se tal não ocorreu
porque, razão não houve Assembleia-geral em Janeiro?
domingo, 24 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
RECORDAR UMA ENTREVISTA DE JOÃO ROCHA
RECORD - Está preocupado com o Sporting a cerca de quatro meses de eleições?
JOÃO ROCHA - O Sporting está a atravessar a pior crise dos seus 100 anos. Convinha, no entanto, esclarecer, até porque os mais jovens não o sabem, que quando veio a revolução, os clubes passaram por uma crise muito grande, concretamente na altura do PREC. Eram, no fundo 'presas' a tomar de assalto. Criaram-se decretos e portarias à luz dos quais os jogadores se transferiam livremente, bastando uma carta. O Sporting passou essa crise colaborando em algo que era necessário, ou seja, apostando na massificação do desporto em Portugal. Não havia ginásios nem pavilhões e o Sporting começou por ter logo 15 mil atletas, um recorde. Nenhum clube da Europa o conseguia, nem o próprio Barcelona.
RECORD - Que acções foram levadas a cabo?
JOÃO ROCHA - Fizeram-se ginásios, pavilhões e compraram-se terrenos. Dinamizámos o desporto em Portugal. A ginástica foi de Norte a Sul do País com várias equipas. Promovemos as modalidades junto de entidades como os bombeiros, diversos tipos de associações, polícia, escolas, etc. Introduzimos em Portugal as artes marciais e a dinamização junto das instituições referidas foi a mesma.
RECORD - Disse-me que o clube comprou terrenos. Isso quer dizer que o património também cresceu?
JOÃO ROCHA - Começámos a ter um património invejável. Pagámos as dívidas do passado e sempre com dirigentes que nunca ganharam nada. Foram centenas de pessoas a participar neste projecto de servir o Sporting gratuitamente. O clube tem de estar grato a esses dirigentes que pagavam, inclusivamente, hotéis, e passes dos jogadores das modalidades de forma desinteressada. Com tudo isto, o Sporting passou a ter a primazia do desporto em Portugal e a ser a maior força desportiva nacional.
RECORD - Essa força foi consubstanciada em mais títulos do que os concorrentes?
JOÃO ROCHA - De tal forma que nos primeiros 10 anos após a revolução, o Sporting tinha 22 modalidades e ganhou 1.210 títulos nacionais e 52 Taças de Portugal. Conquistámos 8 taças europeias em 7 anos, tínhamos 105 mil sócios e, no futebol, entre campeonatos, Taças e Supertaças, o Sporting conquistou 8 títulos contra 10 do Benfica, 6 do FC Porto e 3 do Boavista. Conseguimos reconquistar o estatuto vivido, por exemplo, no tempo dos cinco violinos. Finalmente, juntando provas nacionais e europeias de alta competição, ganhámos 47 títulos contra 20 do Benfica e 13 do FC Porto, ou seja, mais do que os dois rivais juntos. Acrescente-se que mandámos uma equipa de ciclismo à Volta a França. Nenhuma equipa europeia com futebol o fez por duas vezes como nós. Foi importantíssimo para o país.
RECORD - Hoje em dia o panorama é, de facto, diferente. Como sente o clube?
JOÃO ROCHA - Quando saí, deixei o clube sem dívidas, com passivo zero, jogadores valorizados zero, estádio valorizado zero, tudo a preço zero e nada reavaliado. Além disso, 300 mil metros quadrados de construção aprovada, o que em termos actuais e se o Sporting tivesse sido administrado como deve ser, faziam dele hoje um dos maiores clubes da Europa. Só nesses 300 mil metros quadrados tinha um valor de 120 milhões de contos.
RECORD - Porque é que, na sua opinião, o Sporting não seguiu esse caminho ascendente?
JOÃO ROCHA - Eu saí. Não podia ficar, porque tinha uma doença grave. Nos últimos dois anos, já assistia deitado às reuniões da direcção. Só bebia leite e um médico americano disse-me que eu tinha de decidir entre a morte e o Sporting. Eu queria viver mais alguns anos e saí. Depois, o passivo foi aumentando ao longo dos anos, até que chegou José Roquette com o seu projecto.
RECORD - Um projecto que encheu de esperança todos os sportinguistas...
JOÃO ROCHA - O Projecto Roquette liquidou o Sporting. Ninguém soube o que era o projecto, porque ele não dizia. Sabia-se, apenas, que era uma dezena de sociedades, dirigentes e funcionários superiores a ganhar centenas de milhares de contos. O projecto foi reduzir os sócios de mais de 100 mil para pouco mais de 30 mil, foi acabar com as modalidades amadoras, foi vender património, foram dezenas e dezenas de milhões de contos de prejuízo que não aparecem nos resultados, porque parte deles foram executados pelo Sporting. No caso da SAD deram-se informações falsas aos associados e à própria CMVM para a entrada na bolsa.
RECORD - Comos se explica isso?
JOÃO ROCHA - O que lhe posso dizer é que era tudo tão bom que ele próprio, José Roquette, ia subscrever capital e a primeira coisa que fez quando saiu foi vender todas as acções da SAD que tinha comprado. Isto levou os sócios a perderem quase 14 milhões de contos só na subscrição e nos resultados negativos.
RECORD - Você assistiu a isso sem nenhum tipo de reacção?
JOÃO ROCHA - Antes pelo contrário. Numa assembleia da SAD e para defender os interesses do Sporting, lembrei que ao abrigo do Artº 35, a Sociedade tinha de acabar, mas havia uma possibilidade que era a reavaliação dos jogadores, repondo capital necessário na SAD para esta não ser extinta.
RECORD - Muito objectivamente, na sua opinião, José Roquette é o responsável pelo actual passivo do Sporting?
JOÃO ROCHA - O Projecto Roquette liquidou o Sporting. Disso já não restam dúvidas. Queria gerir o clube ditatorialmente e a primeira coisa que fez foi fechar as portas aos jornalistas nas assembleias gerais. No meu tempo, havia uma bancada só para os jornalistas. Não tínhamos receio de nada.
RECORD - Recordo-lhe que na altura da entrada de José Roquette foi dito por muitos elementos do universo leonino que o clube se encontrava em falência técnica. Lembra-se?
JOÃO ROCHA - Quando José Roquette entrou, o clube estava numa situação caótica, mas ele aceitou um passivo de 4 milhões de contos e, actualmente, ascende a 60 milhões de contos. É uma diferença enorme. Mas esse não é o grande problema. É preciso ter em conta os prejuízos, os quais foram colmatados com a venda de património e a reavaliação de todo o activo, incluindo jogadores. Esses prejuízos não foram contabilizados.
RECORD - Mas o clube também se valorizou patrimonialmente. Concorda?
JOÃO ROCHA - Fez-se a Academia e o estádio, mas nada disso é do Sporting. Mesmo que se venda aquilo que se está a propor vender, ainda vamos continuar a dever o estádio, que é fruto de compromissos com a banca e do contributo de alguns sócios que ajudaram em muitos milhares de contos, comprando lugares cativos.
RECORD - Um projecto totalmente falhado, no seu ponto de vista. Porquê?
JOÃO ROCHA - É muito simples. José Roquette julgava que o Sporting era uma operação tão fácil com a do Totta, em que ele, numa operação ilegal, ganhou 20 milhões de contos sem pagar um tostão de impostos e, ainda por cima, acabou por comprometer aquele que foi recentemente eleito Presidente da República, Cavaco Silva.
RECORD - Uma forte acusação. O que sabe desse processo?
JOÃO ROCHA - Não quero falar nisso neste momento, porque me interessa mais o Sporting.
RECORD - Lembro-me que durante o mandato de José Roquette,você se revoltou com acordos que nunca ficaram esclarecidos, nomeadamente entre o Sporting e o FC Porto. Quer revelar pormenores em relação a isso?
JOÃO ROCHA - Havia um projecto com o FC Porto que era muito prejudicial para o Sporting. Era mesmo inqualificável. Insurgi-me num Conselho Leonino e numa assembleia geral. Era um projecto gravíssimo que só podia sair da cabeça de um indivíduo sem responsabilidades. José Roquette dizia que era um projecto válido, porque era a única maneira de Sporting e FC Porto estarem sempre representados na Liga dos Campeões.
RECORD - Vai concretizar ou continuar a guardar trunfos?
JOÃO ROCHA - Não digo mais nada sobre isso. Foi falado no Conselho Leonino e eu disse ao líder da AG para mandar calar sobre essa informação, que foi longe demais. Disse-lhe ainda que o resumo do acordo com o FC Porto devia ser gravado de tão grave que era, porque talvez fosse necessário que essa gravação viesse a ser pública na defesa dos interesses do Sporting e dos seus sócios. Não vejo o desporto assim. [leia a entrevista completa na edição impressa de Record desta quarta-feira]
Autor: JOÃO PEDRO ABECASIS
Data: Quarta-Feria, 15 Fevereiro de 2006
segunda-feira, 31 de dezembro de 2012
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